O ENIGMA EM PESSOA
Introdução
à obra de Fernando Pessoa
por
Frederico
Barbosa
Uma vida e muitas invenções
Ao escrever sobre Fernando Pessoa, o poeta mexicano Octavio Paz declara
que “os poetas não têm biografia. Sua obra é sua biografia”.
Afirma ainda, que, no caso de Pessoa, “nada em sua vida é surpreendente
-- nada, exceto seus poemas.” Homem de vida pública modesta,
Fernando Pessoa dedicou-se a inventar. Através da poesia, criou
outras vidas, despertando, assim, o interesse por sua própria vida
tão pacata. Tornou-se, portanto, o enigma em pessoa.
Nascido em Lisboa, no dia 13 de junho de 1888, Fernando Pessoa perdeu o
pai aos cinco anos de idade. Em 1896, a família se transfere, levada
pelo segundo marido de sua mãe, para a cidade de Durban, na África
do Sul. Lá, cursa o secundário, cedo revelando seu pendor
para a literatura. Em 1903, ingressa na Universidade do Cabo.
Fernando Pessoa, educado em inglês, adquiriu o gosto pela poesia
lendo Milton, Byron, Shelley, Edgar Allan Poe e outros poetas de língua
inglesa.
Deixando a família em Durban, o jovem estudante, que até
pensava em inglês, retorna a Portugal. Fernando Pessoa matricula-se,
então, no Curso Superior de Letras, que logo abandona, e entra em
contato com os grandes escritores da língua portuguesa. Impressiona-se
sobremaneira com os sermões do Padre Antônio Vieira (1608-1697)
e particularmente com a obra de Cesário Verde (1855-1886), Em 1908
começa a trabalhar como tradutor de cartas comerciais para empresas
estrangeiras. Deste emprego modesto tirará o sustento durante toda
a vida. Boêmio, encontra-se com os amigos em cafés, especialmente
a "Brasileira do Chiado" para discutir literatura. Em 1912 conhece o poeta
Mário de Sá-Carneiro (1890 - 1916), de quem se tornaria
grande amigo. Em Paris, no dia 26 de abril de 1916, Sá-Carneiro,
após escrever cartas angustiadas a Fernando Pessoa, comete o suicídio.
A revista Orpheu, fundada em 1915 por Fernando Pessoa, Mário
de Sá Carneiro,
e outros amigos, como Almada Negreiros
e Luís de Montalvor, representa
o marco inicial do Modernismo em
Portugal.
Após a notoriedade, nem sempre positiva, adquirida com a publicação
de Orpheu, Pessoa mergulha em anos de relativa obscuridade. Publica um
pequeno volume de poemas em inglês, Antinuos and 35 Sonnets
(1918), ensaios e poemas esporádicos em algumas revistas, funda
outras, envolve-se com o ocultismo e a magia negra, dedica-se ao estudo
da astrologia. Em 1934 publica, tomando dinheiro emprestado, o livro Mensagem,
e com ele participa do prêmio "Antero de Quental". Recebe o prêmio
de Categoria B. No dia 30 de novembro de 1935, morre de cirrose hepática.
Fernando Pessoa nunca teve, em vida, o reconhecimento que merecia.
Viveu modestamente, em relativa
obscuridade. Em vida, teve apenas dois livros publicados: alguns poemas
em inglês e Mensagem.
Os heterônimos
Desde cedo, Fernando Pessoa inventara seus companheiros. Ainda em Durban,
imagina os heterônimos Charles Robert Anon e H. M. F. Lecher. Cria
também o especialista em palavras cruzadas Alexander Search e outras
figuras menores. Mas seria no dia 8 de março de 1914 que os
heterônimos começariam a aparecer com toda a força.
Neste dia, Pessoa escreve, de uma só vez, os 49 poemas de O Guardador
de Rebanhos, de Alberto Caeiro. Como resposta, escreve também os
seis poemas de Chuva Oblíqua, que assina com seu próprio
nome. Logo, inventaria Álvaro de Campos e, em junho do mesmo ano,
Ricardo Reis. Um semi-heterônimo de Pessoa, Bernardo Soares, só
em 1982 teve sua obra, O Livro do Desassossego, composta por fragmentos
de prosa poética, publicada.
Álvaro de Campos e Ricardo Reis, assim como o próprio Pessoa,
consideravam-se discípulos de Alberto Caeiro, mas cada um seguiu
os ensinamentos do mestre à sua forma, e chegaram até a travar
uma polêmica muito interessante sobre o fazer poético.
A última frase de Fernando Pessoa foi escrita em inglês no
dia de sua morte:
“I know not what tomorrow will
bring” ou “Eu não sei o que o amanhã trará”
O amanhã trouxe para Fernando Pessoa uma admiração
crescente. Suas obras foram aos poucos sendo publicadas e ele é
considerado hoje, ao lado de Camões, um dos dois maiores poetas
portugueses de todos os tempos. Nenhum poeta, em língua portuguesa,
obteve tanto prestígio em todo o mundo. O obscuro e modesto lisboeta
tornou-se, assim, um nome importante em todo o mundo. Graças ao
poder da palavra. Graças à magia da poesia.
Pessoa e os heterônimos
Mais do que meros pseudônimos, outros nomes com os quais um autor
assina sua obra, os heterônimos são invenções
de personagens completos, que têm uma biografia própria, estilos
literários diferenciados, e que produzem uma obra paralela à
do seu criador. Fernando Pessoa criou várias dessas personagens.
Três deles foram excelentes poetas e seus poemas estão nesta
antologia, lado a lado com os que Pessoa assinava com seu próprio
nome. Os estudiosos seguem discutindo por que Pessoa teria criado seus
heterônimos. Seria esquizofrenia? Psicografia? Uma grande piada?
Um genial jogo de marketing poético? De certo, sabemos que a genialidade
de Fernando Pessoa é grande demais para caber em um só poeta.
Como bem o sintetizou o seu heterônimo mais atribulado, Álvaro
de Campos:
"Quanto mais eu sinta, quanto
mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidades eu
tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente
as tiver,
Quanto mais simultaneamente
sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso,
dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência
total do universo,
Mais completo serei pelo espaço
inteiro fora."
Além disso, Fernando Pessoa viveu durante os primórdios do
Modernismo, uma época em que a arte se fragmentava em várias
tendências simultâneas, as chamadas Vanguardas: Futurismo,
Cubismo, Expressionismo, Dadaísmo, Surrealismo e muitas outras.
A arte, no momento da explosão das inúmeras vanguardas modernistas
por todo
o mundo, também se dividia
e se multiplicava. Fernando Pessoa, introdutor das
vanguardas modernistas em Portugal,
ao se dividir, levou a fragmentação da
arte moderna às últimas
conseqüências.
Alberto Caeiro (1889 - 1915)
Fernando Pessoa explicou em detalhes a “vida”de cada um de seus heterônimos.
Assim apresenta a vida do mestre de todos, Alberto Caeiro:
"Nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não
teve profissão, nem educação quase alguma, só
instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe,
e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com
uma tia velha, tia avó. Morreu tuberculoso."
Pessoa cria uma biografia para Caeiro que se encaixa com perfeição
à sua poesia, como podemos observar nos 49 poemas da série
O Guardador de Rebanhos, incluída por inteiro nesta antologia. Segundo
Pessoa, foram escritos na noite de 8 de março de 1914, de um só
fôlego, sem interrupções. Esse processo criativo espontâneo
traduz exatamente a busca fundamental de Alberto Caeiro: completa
naturalidade.
“Eu não tenho filosofia:
tenho sentidos...
Se falo na Natureza
não é porque saiba o que ela é.
Mas porque a amo,
e amo-a por isso,
Porque quem ama
nunca sabe o que ama
Nem por que ama,
nem o que é amar...”
Caeiro escreve com a linguagem simples e o vocabulário limitado
de um poeta camponês pouco ilustrado. Pratica o realismo sensorial,
numa atitude de rejeição às elucubrações
da poesia simbolista.
Assim, constantemente opõe à metafísica o desejo de
não pensar. Faz da oposição à reflexão
a matéria básica das suas reflexões. Esse paradoxo
aproxima-o da atitude zen-budista de pensar para não pensar, desejar
não desejar:
“Metafísica?
Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes
e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto
na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que
não sabemos dar por elas.
Mas que melhor
metafísica que a delas,
Que é a
de não saber para que vivem
Nem saber que o
não sabem?”
Caeiro coloca-se, portanto, como inimigo do misticismo, que pretende ver
“mistérios” por trás de todas as coisas. Busca precisamente
o contrário: ver as coisas como elas são, sem refletir sobre
elas e sem atribuir a elas significados ou sentimentos humanos:
“Os poetas místicos são
filósofos doentes,
E os filósofos
são homens doidos.
Porque os poetas místicos
dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras
têm alma
E que os rios têm
êxtases ao luar.
Mas as flores, se sentissem,
não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem
alma, eram coisas vivas, não eram pedras;
E se os rios tivessem
êxtases ao luar,
Os rios seriam homens
doentes.”
É importante lembrar que os poetas simbolistas, que antecederam
Fernando Pessoa, estavam impregnados de forte misticismo, herdado da poesia
romântica. Enquanto românticos e simbolistas carregavam seus
poemas de religiosidade, Alberto Caeiro procura, de forma coerente e lógica,
afastar-se da reflexão sobre Deus.
“Pensar em Deus é
desobedecer a Deus,
Porque Deus quis
que o não conhecêssemos,
Por isso se nos
não mostrou...”
Seguindo esta linha de pensamento religioso, Caeiro escreve um poema muito
ousado sobre o menino Jesus. No poema VIII de O Guardador de Rebanhos,
destituído de santidade, Cristo é representado como uma criança
normal: espontânea, levada, brincalhona e alegre. Nisso, está
a religiosidade de Caeiro.
Em perfeita consonância com sua busca de simplicidade e espontaneidade,
Alberto Caeiro escreve versos livres (sem métrica regular) e brancos
(sem rimas).
Ricardo Reis (1887 - 1935?)
Se Alberto Caeiro era um camponês autodidata desprovido de erudição,
seu discípulo Ricardo Reis era um erudito que insistia na defesa
dos valores tradicionais, tanto na literatura quanto na política.
De acordo com Pessoa:
"Ricardo Reis nasceu no Porto. Educado em colégio de jesuítas,
é médico e vive no Brasil desde 1919, pois expatriou-se espontaneamente
por ser monárquico. É latinista por educação
alheia, e um semi-helenista por educação própria."
Discípulo de Caeiro, Reis retoma o fascínio do mestre pela
natureza pelo viés do neoclassicismo. Insiste nos clichês
árcades do Locus Amoenus (local ameno) e do Carpe Diem (aproveitar
o momento).
Neoclássico, Reis busca o equilíbrio, a "Aurea Mediocritas"
( equilíbrio de ouro) tão prezada pelos poetas do século
XVIII. A busca da espontaneidade de Caeiro transforma-se em Reis, na procura
do equilíbrio contido dos clássicos. Deixa de ser uma simplicidade
natural e passa a ser estudada, forjada através do intelecto:
“Para
ser grande, sê inteiro: nada
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
Assim como em cada lago a lua toda
Brilha, porque
alta vive.”
A linguagem de Ricardo Reis é clássica. Usa um vocabulário
erudito e, muito apropriadamente, seus poemas são metrificados e
apresentam uma sintaxe rebuscada.
Os poemas de
Reis são odes, poemas líricos de tom alegre e entusiástico,
cantados pelos gregos, ao som de cítaras ou flautas, em estrofes
regulares e variáveis. Nelas, convida pastoras como Lídia,
Neera ou Cloe para desfrutar de prazeres contemplativos e regrados:
"Prazer, mas devagar,
Lídia,
que a sorte àqueles não é grata
Que lhe das
mãos arrancam.
Furtivos,
retiremos do horto mundo
Os deprendandos
pomos."
As odes de Reis, como as de Píndaro, recorrem sempre aos deuses
da mitologia grega. Este paganismo, de caráter erudito, afasta-se
da convicção de Alberto Caeiro de que não se deve
pensar em Deus. Para Ricardo Reis, os deuses estão acima de tudo
e controlam o destino dos homens:
"Acima da verdade estão
os deuses.
Nossa ciência
é uma falhada cópia
Da certeza
com que eles
Sabem que
há o Universo.
Álvaro de Campos (1890 - 1935?)
Fernando Pessoa nos informa que Álvaro de Campos:
“Nasceu em Tavira, teve uma educação vulgar de Liceu;
depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica
e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou
o Opiário. Agora está aqui em Lisboa em inatividade."
Como normalmente acontece com os poetas de carne e osso, o heterônimo
Álvaro de Campos apresenta três fases distintas em sua poesia.
De início é influenciado pelo decadentismo simbolista, depois
pelo futurismo e por fim, amargurado, escreve poemas pessimistas e desiludidos.
No poema Opiário, o engenheiro Campos, influenciado pelo
simbolismo, ainda metrifica e rima. Escreve quadras, estrofes de quatro
versos, de teor autobiográfico e já se apresenta amargurado
e insatisfeito:
"Eu fingi que estudei
engenharia.
Vivi na Escócia.
Visitei a Irlanda.
Meu coração
é uma avozinha que anda
Pedindo esmolas
às portas da alegria."
Campos em seguida envereda pelo futurismo, adotando um estilo febril, entre
as máquinas e a agitação da cidade, do que resultam
poemas como Ode Triunfal:
"À dolorosa luz
das lâmpadas elétricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo
os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto
totalmente desconhecida dos antigos."
Desta fase são também a Ode Marítima e a Saudação
a Walt Whitman. Homenageando o grande escritor norte-americano, Campos,
além de se referir ao conhecido homossexualismo de Whitman, de que
parece comungar, revela uma das mais fortes influências sobre o seu
estilo:
Os poemas de Álvaro de Campos são marcados pela oralidade
e pela prolixidade que se espalha em versos longos, próximos da
prosa. Despreza a rima ou métrica regular. Despeja seus versos em
torrentes de incontrolável desabafo.
A última fase do heterônimo Álvaro de Campos, em que
pontifica o poema Tabacaria, apresenta um poeta amargurado, refletindo
de forma pessimista e desiludida sobre a existência:
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso
querer ser nada.
À parte
isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
Assim como Ricardo Reis, também Álvaro de Campos confessa-se
discípulo de Alberto Caeiro. Mas se Reis envereda pelo neoclassicismo
ao tentar imitar o mestre, Campos se revela inquieto e frustrado por não
conseguir seguir os preceitos de Caeiro. No poema que se inicia pelo verso
"Mestre, meu mestre querido", dialoga com Caeiro, revelando toda
sua angústia:
"Meu mestre, meu coração
não aprendeu a tua serenidade.
Meu coração
não aprendeu nada.
(...)
A calma que tinhas,
deste-ma, e foi-me inquietação."
Fernando Pessoa, ele mesmo
A obra que Fernando Pessoa assinou com seu próprio nome está
reunida nos volumes Cancioneiro e Mensagem.
O Cancioneiro é composto por poemas líricos, rimados
e metrificados,
de forte influência simbolista.
É do Cancioneiro um dos poemas mais célebres de Pessoa,
Autopsicografia, em que reflete sobre o fazer poético:
"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é
dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não
têm."
O leitor atento há de perceber que o poeta parte de uma dor sua,
real, integral. Só quem sente uma dor pode fingir outra que não
sente. Só quem tem personalidade pode ser ator. Como Fernando Pessoa.
Já os leitores, lêem no poema a dor ou o sentimento que lhes
falta e que gostariam de ter. Sentem-na ao atribuí-la a poeta.
Mensagem (1934), foi o único livro em língua portuguesa
publicado por Pessoa.
Os poemas do livro estão
organizados de forma a compor uma epopéia fragmentária, em
que o conjunto dos textos líricos acaba formando um elogio de teor
épico a Portugal. Traçando a história do seu país,
Pessoa envereda por um nacionalismo místico de caráter sebastianista.
O livro Mensagem está dividido em três partes: Brasão,
Mar português e O Encoberto.
Na primeira, conta-se a história
das glórias portuguesas. Na segunda, são apresentadas as
navegações e conquistas marítimas de Portugal.
Na terceira, é apresentado o mito sebastianista de retorno de Portugal
às épocas de glória.
A primeira parte de Mensagem, Brasão, se estrutura
como o brasão português, que é formado por dois campos:
um apresenta sete castelos, o outro, cinco quinas. No topo do brasão,
estão a coroa e o timbre, que apresenta o grifo, animal mitológico
que tem cabeça de leão e asas de águia. Assim se dividem
os poemas desta parte, remetendo ao brasão de Portugal. Versam sobre
as grandes figuras da história de Portugal, desde Dom Henrique,
fundador do Condado Portucalenses, passando por sua esposa, Dona Tareja,
e seu filho, primeiro rei de Portugal, Dom Afonso Henriques, até
o infante Dom Henrique (1394-1460), fundador da Escola de Sagres e grande
fomentador da expansão ultramarina portuguesa, e Afonso de Albuquerque
(1462-1515), dominador português do Oriente. Até o mito de
Ulisses, que teria fundado a cidade de Ulissepona, depois Lisboa, é
apresentado:
"O mito é o nada
que é tudo.
O mesmo sol
que abre os céus
É
um mito brilhante e mudo."
A segunda parte, Mar português, apresenta as principais etapas
da expansão ultramarina que levou Portugal a ocupar um lugar de
destaque no mundo durante os séculos XV e XVI:
"E ao imenso e possível
oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui
vês,
Que o mar com fim será
grego ou romano:
O mar sem fim é português."
Já a última parte, O Encoberto, apresenta o misticismo
em torno da figura de Dom Sebastião, rei de Portugal cuja frota
foi dizimada em ataque aos mouros em 1578. Muitas previsões, como
a do sapateiro Bandarra e a do padre Antônio Vieira, prevêem
o retorno de Dom Sebastião para resgatar o poderio de Portugal,
criando o Quinto Império, marcando a supremacia de Portugal
sobre o mundo:
"Grécia,
Roma, Cristandade,
Europa, os
quatro se vão
Para onde
vai toda idade.
Quem vem
viver a verdade
Que morreu
dom Sebastião?"
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