Luís de Camões
 
 
 
SONETOS
 
 

 

Organização
Frederico Barbosa
 
Estabelecimento de Texto
Sylmara Beletti e Frederico Barbosa
 
 

 
 
 
Apresentação
 
 
     Mais de 400 anos de polêmicas cercam qualquer nova edição dos Sonetos de Luís de Camões. Principalmente se a intenção é organizá-la de forma metódica e criteriosa.
     Depois de estudar a poesia camoniana durante sete anos, para publicar sua edição da obra lírica de Camões, Domingos Fernandes ainda avisava seus leitores, em 1616: “Se neste livro se acharem algumas coisas que não sejam de Camões, não me ponham culpa.”  As dificuldades em se determinar com precisão a autoria dos 400 sonetos que, em algum momento, foram atribuídos a Camões são tantas e tão antigas que  levam até o mais cuidadoso dos editores a dar, por escrúpulos, avisos semelhantes seus leitores.
     Os sonetos de Camões só foram publicados pela primeira vez em 1595, 15 anos após a sua morte. O organizador Lobo Soropita haveria de incluir, nessa primeira edição, vários sonetos apócrifos, atribuídos erroneamente ao autor dos Lusíadas.
Desde então, os erros foram se reproduzindo e as discussões se multiplicando. Há sonetos banidos de certas edições, só para serem resgatados nas seguintes. Com outros, o contrário ocorre. Alguns editores são muito complacentes, outros pecam
pelo excesso de rigor. Muitos são exageradamente subjetivos, poucos se entendem.
     Aos primeiros sonetos publicados por Soropita (1595), as sucessivas edições da lírica camoniana foram acrescentando muitos poemas de autoria duvidosa. O caos se estabelece ao acompanharmos as edições de Estêvão Lopes (1598), Domingos Fernandes (1616), Álvares da Cunha (1663-1668), Faria e Sousa (1685) e do Visconde de Juromenha (1861), que foram construindo o corpus de 400 sonetos atribuídos a Luís de Camões.
     Para lançarmos um pouco de luz nesse quebra-cabeças, escolhemos os critérios expostos pelo poeta, crítico literário e incansável estudioso camoniano Jorge de Sena em sua obra Os Sonetos de Camões e o Soneto Quinhentista Peninsular  (Portugália Editora; Lisboa; 1969). Estudando os sonetos tanto do ponto de vista histórico quanto semântico e estrutural, Sena chega à conclusão de que as edições de 1595 a 1663 apresentam 119 sonetos legitimamente camonianos.
     Apresentamos, portanto, nessa edição, os 119 sonetos apontados por Jorge de Sena e acrescentamos 20 deles por nós escolhidos das edições posteriores, assim como 11 poemas considerados por Jorge de Sena e por nós como apócrifos, ou de autoria contestada.
     Como critério de ordenação dos sonetos, escolhemos apresentá-los divididos pelas edições em que primeiro apareceram, seguindo o que já fora feito por Hernâni Cidade na edição das Obras Completas de Luís de Camões (Livraria Sá da Costa; Lisboa; 1946).
    Já o estabelecimento do texto, para essa edição brasileira, seguiu o estudo rigoroso feito por Cleonice Berardinelli no monumental volume Sonetos de Camões - Corpus dos Sonetos Camonianos (Centre Culturel Portugais/Casa de Rui Barbosa; Lisboa/Paris/Rio de Janeiro; 1980). Fizemos apenas as alterações exigidas pelo Português do Brasil, quando não foram prejudiciais à métrica, rima, ou ritmo dos poemas.
     Esperamos, assim, que o leitor brasileiro possa ter uma visão segura do que há de melhor na obra do maior sonetista da nossa língua. Para os que o lêem por prazer, oferecemos o respaldo do nosso estudo. Aos que o fazem por obrigação escolar, desejamos que encontrem nessas pequenas obras-primas o prazer que tem contagiado leitores por mais de 400 anos.
 
 
 

 
 
 
SONETOS
 
 
SONETOS DA EDIÇÃO DE 1595
 
 
  
 
 
 
SONETOS DA EDIÇÃO DE 1598